Sem palavras
de Nádia Regina Almeida Manzon @nadia_noticia
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Introdução
Busquei abordar, por meio do realismo fantástico, a história de uma mulher oprimida pela cultura do patriarcado que aos poucos foi silenciando até não falar mais nada. Ausentes e desinteressados dela, os homens da casa, marido e filhos, não se importam com sua mudez, desde que a casa esteja limpa e as refeições prontas. A única companhia da mulher são os passarinhos que o marido captura e mantém em gaiolas. Até que um dia tudo muda, a partir de um evento surpreendente. O texto fala de solidão, questões de gênero e protagonismo feminino a partir do relacionamento entre seres humanos e animais, tendo por influência obras dos escritores Franz Kafka, Clarice Lispector, José J. Veiga, Toni Morrison e Gabriel García Marques.

Suprimentos
Utilizei o Word (Microsoft) como processador de texto, inclusive para contar palavras, e um scanner para a imagem que o acompanha.
Sem palavras
A mulher emudeceu aos poucos, desaprendeu a ter voz. Habitava a cozinha, de onde saía somente para as tarefas domésticas, tomar banho e dormir. O marido e seus filhos não se importavam, contanto que a casa estivesse limpa e a comida pronta. Apenas os passarinhos pareciam convocá-la. Foram capturados pelo marido, que apreciava seus cantos, supondo ser contentamento, mas ela sabia: eram lamento. Naquela manhã, ela quis falar, mas de sua boca saíram gorjeios ao invés de palavras. Quando os homens voltaram, encontraram as panelas vazias, as gaiolas abertas, muito silêncio e uma pena incomum, grande demais para qualquer ave.

Imaginação ou realidade?
Para compor esse conto, recorri ao chamado realismo fantástico. Desde que, ainda na adolescência, li "Metamorfose", de Franz Kafka, passei a apreciar livros e filmes que tratam dessa abordagem, com finais abertos. Creio que coube, nessa pequena ficção, lançar mão de uma abordagem dúbia entre o que seria imaginação ou realidade, a critério do público, para discorrer brevemente sobre a condição de uma mulher oprimida à beira da loucura.

Meu processo criativo
A partir da premissa de escrever um conto em exatas cem palavras, pensei no título "Sem Palavras" e logo me veio à mente a figura de uma mulher silente. Ao criar uma história, recorro às minhas influências literárias (como o escritor brasileiro Machado de Assis, foto), memórias e experiências múltiplas. Após esboçar num caderno as ideias principais, defino o texto no computador e termino por fazer a edição. Acho importante essa conexão entre texto e sentimento para que a obra emocione o leitor e consiga transmitir a mensagem do enredo, abrindo espaços para novas interpretações.




3 comentários
Agradeço à Domestika, que desde 2020 vem me ajudando a expandir meus horizontes artísticos, a ousar em novas criações, a aprender mais e melhor. Textos que escrevemos com emoção emocionam quem lê e este me veio como uma poética forma de destacar a importância dos relacionamentos, o papel da mulher na sociedade e nossa relação com os animais e todos os seres. Somos um pouco de tudo que absorvemos nessa experiência humana, uma amálgama de muitas vivências, por isso minha gratidão aos autores que me inspiram, às pessoas que enriquecem minha jornada e à fonte da vida que me permite ser. Gratidão!
Very impressive Nadia💯🤩
@its_lulu Thanks for the comment!
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